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O círculo da exclusão

Algumas cidades estão “condenadas a continuar desconectadas”, diz Rogério Santanna, da secretaria de logística e tecnologia da informação do Ministério do Planejamento. Empresas não se instalam em cidades onde não há renda nem mão-de-obra, e por isso as empresas de telecomunicações não se animam a levar comunicação de dados de alta velocidade (banda larga) a essas cidades. Depois, sem banda larga, as empresas não se instalam nessas cidades. É um círculo vicioso, que só os governos conseguem quebrar.

Uma das idéias para amenizar esse problema é criar uma espécie de “SUS da comunicação”, diz Rogério, um socorro para cidades nas quais as empresas de telecomunicações não têm interesse, talvez recorrendo às PPPs, parcerias público-privadas. Rogério também defende a interligação das redes de telecomunicações públicas, como a da Petrobras, da Telebrás, da Infovia Brasil e a dos estados e municípios, para assim criar uma rede comunitária de uso público compartilhado. “Ninguém seria proprietário da rede e, ao mesmo tempo, teríamos uma rede nacional.”

Novas tecnologias

Augusto Gadelha, secretário de política de informática no Ministério da Ciência e Tecnologia, e Daniel Annenberg, superintendente do Poupatempo do governo do Estado de São Paulo, além do próprio Santanna, dizem que novas tecnologias podem também amenizar o problema. A TV digital, por exemplo, pode ser usada para difundir cultura e serviços públicos país afora. As técnicas de transmissão de dados por rádio (WiMAX, Wi-Fi, WiMesh) também servem como alternativas à inclusão digital.

Como representantes do governo federal, Rogério e Augusto defenderam a criação de um Plano Nacional de Difusão da Banda Larga. O Comitê Gestor da Internet (CGI) estuda o assunto e aprovou um plano de ações; uma delas é difundir o uso da banda larga no Brasil. “O desafio do país não é apenas universalizar o acesso à telefonia, mas à banda larga”, diz Rogério. “E, para isso, o comitê gestor será um elemento de criação de novas alternativas tecnológicas.” Augusto concorda: “A banda larga leva melhoria econômica para as regiões menos favorecidas.” A Coréia do Sul, os dois lembraram, investiu em banda larga com grande sucesso; obteve bom impacto na economia. (Contudo, é bom não esquecer, investiu muito mais e principalmente em educação.) Rogério e Augusto integram o conselho do CGI, que reúne também representantes da iniciativa privada e da sociedade civil, e pretendem estender para o governo, envolvendo diversos ministérios, a discussão para criar o Plano Nacional de Difusão da Banda Larga, que tem sido travada no Comitê da Internet. “O Comitê Gestor pretende desenvolver ações que contribuam para a universalização da banda larga”, Augusto promete. Rogério lembrou que, dos mais de 5 mil municípios brasileiros, apenas 232 têm disponíveis todos os serviços de telecomunicações (telefonia fixa e móvel e acesso à Internet em banda larga). Entre as ações propostas pelo CGI estão a criação de corredores, ou cidades digitais. Rogério antecipou uma delas: “O comitê vai escolher dez cidades médias, condenadas à exclusão eterna, para financiar os projetos. A escolha deve ser por meio de editais.” Outra iniciativa é dar incentivos aos empreendedores locais. “Vamos apoiar projetos inovadores”, prometeu Rogério, “com novas tecnologias sem-fio, de cooperativas que tenham interesse em levar a tecnologia para o campo.”.

 
 
 
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